domingo, 30 de março de 2008

Bonecos de areia

Como posso dizer que a morte é o que te possibilita respirar? Posso, de uma maneira só. A morte não é o “último suspiro” (e claro que não é mesmo, pois quem “suspira” – que, pelo meu entender, suspirar por algo é romantismo - por algum motivo em seus últimos momentos de vida?), e também não é somente quando o cérebro pára de funcionar. A morte é morte enquanto houver vida. Mas, como entender que a morte está presente quando sentimos a luz em nossos olhos, ou quando estamos no ápice da juventude (quando consideramos que estamos livres de qualquer patologia comprometedora?). A morte se dá porque tudo em nós (nosso corpo) é feito por ciclos, e tudo já vira pó ao final de cada um desses ciclos. Somos como bonecos de areia andantes, que deixam seus rastros de pó por onde passam. Então, porque falar que se têm medo da morte? Ela se encontra tanto no vigor físico do atleta ou de qualquer outro trabalhador, tanto como se encontra no moribundo.
Por favor, arrumem o dicionário (o Aurélio e, com certeza, tantos outros), que diz: “morte: cessação da vida; termo fim; destruição, ruína; pesar profundo”.
O conceito de se “morrer por alguma coisa”, ou alguém, está, em parte, errado. Quem morre por algo não é somente aquele que “se joga na frente da bala”. Quem morre por uma causa é aquele que dedica a sua vida a ela.

2 Comments:

L'Hippopotame said...

Oi Fernando!
Te indiquei p/ um prêmio. Acho q vc já ganhou, mas coloca aí na sua coleção! Vc merece! rsrsrs
http://lehipopotame.blogspot.com/2008/04/ops-esqueci.html
Até!

Jeff Santanielo said...

eu tenho medo da morte que interrompe os ciclos da vida. Por acidentes e fatalidades das mais absurdas. Ou, como diz Drummond, a morte que faz as folhas cairem antes da hora de cair.